Agora sinto pena ao te olhar nos olhos
Entre nos nunca houve segredos
Antes que ousasse guarda-los,
Esvaía-me dos dedos
Testemunhei os tantos espinhos, sementes e venenos
Que se perderam em seus cílios negros
E sinto pena em te ver sofrendo.
Você, preso no espelho
E eu livre num mundo pequeno
Mas... e se você for real
E eu apenas um reflexo seu?
LARICA BLUES
É tao bom passar fome
Voce não pode imaginar
A gente fica elegante
Só por não se alimentar
Mas voce é tão obeso
Bem nutrido e hipertenso
Não imagina enquanto come
O quanto é bom passar fome
Sua dieta não funcionou
Porque seu estômago nunca roncou
Reviramos seu lixo
Para ver oque sobrou
Se algum dia estivermos
Onde a comida estiver
Comeremos com a mão
Pois nunca vimos colher
Mas comendo todo dia
Os detritos que voce come
Voce não pode imaginar
Como é bom passar fome
Voce não pode imaginar
A gente fica elegante
Só por não se alimentar
Mas voce é tão obeso
Bem nutrido e hipertenso
Não imagina enquanto come
O quanto é bom passar fome
Sua dieta não funcionou
Porque seu estômago nunca roncou
Reviramos seu lixo
Para ver oque sobrou
Se algum dia estivermos
Onde a comida estiver
Comeremos com a mão
Pois nunca vimos colher
Mas comendo todo dia
Os detritos que voce come
Voce não pode imaginar
Como é bom passar fome
UM NOVO DIA
E o sol nasce de novo
Num parto tranquilo e lento
Ou será que foi de um ovo
Partido lentamente
Pelo vento?
Num parto tranquilo e lento
Ou será que foi de um ovo
Partido lentamente
Pelo vento?
RELAÇÃO INCOMUM
Abro a janela que é para vê-la nua
Não me pergunte se estou bem
Estou vivo e já me basta.
A vida nos afasta
O destino foi ao banheiro e já vem
Saio para procurar outro na rua.
Ela me tem como sua
E pela mão me arrasta
Para algo que meus olhos não veem.
Não me pergunte se estou bem
Estou vivo e já me basta.
A vida nos afasta
O destino foi ao banheiro e já vem
Saio para procurar outro na rua.
Ela me tem como sua
E pela mão me arrasta
Para algo que meus olhos não veem.
FIGURA DO PASSADO
Prepararam um velório para mim
Secretamente, sem que eu soubesse
Pintaram de morte o jardim
Na esperança que eu morresse
Pelo jeito se enganaram
Não foi a mim que enterraram
Foi uma figura do passado
Que voltou para o lugar errado
Com a mente entorpecida
Assisti o meu enterro
Estava ali a minha vida
Procurando saber seu erro
E o mundo segue seu curso
Por lugares que já passei
Todos levarão um susto
Pois saberão que eu voltei.
Secretamente, sem que eu soubesse
Pintaram de morte o jardim
Na esperança que eu morresse
Pelo jeito se enganaram
Não foi a mim que enterraram
Foi uma figura do passado
Que voltou para o lugar errado
Com a mente entorpecida
Assisti o meu enterro
Estava ali a minha vida
Procurando saber seu erro
E o mundo segue seu curso
Por lugares que já passei
Todos levarão um susto
Pois saberão que eu voltei.
DOENÇA DA CRENÇA
Salve as crianças da fome
Que sofrem porem não choram
Inocentes anjos vermívoros
Vitimas do sistema que os explora
Salve os moradores da calçada
Que para si nao tem mais nada
Para eles as portas estão fechadas
Tanto para saída quanto para entrada.
Salve aqueles que nao amam
Que com outros propósitos se enganam
Por nao terem o mais importante
Viverão infelizes eternamente.
Salve os trabalhadores braçais
Que trabalham tanto quanto ganham pouco
Seu futuro é igual o dos outros
Qual dor e sofrimento sao iguais
Que, empurrados pelo mesmo sopro
Também sao explorados demais.
Que a esperança seja viva
E que realmente exista
No interior de todos nós.
Que a união seja real
Para que passe todo mal
E venham dias melhores.
Que algum dia sejamos todos iguais finalmente
E seu Deus esteja com quem precisa realmente.
Que sofrem porem não choram
Inocentes anjos vermívoros
Vitimas do sistema que os explora
Salve os moradores da calçada
Que para si nao tem mais nada
Para eles as portas estão fechadas
Tanto para saída quanto para entrada.
Salve aqueles que nao amam
Que com outros propósitos se enganam
Por nao terem o mais importante
Viverão infelizes eternamente.
Salve os trabalhadores braçais
Que trabalham tanto quanto ganham pouco
Seu futuro é igual o dos outros
Qual dor e sofrimento sao iguais
Que, empurrados pelo mesmo sopro
Também sao explorados demais.
Que a esperança seja viva
E que realmente exista
No interior de todos nós.
Que a união seja real
Para que passe todo mal
E venham dias melhores.
Que algum dia sejamos todos iguais finalmente
E seu Deus esteja com quem precisa realmente.
SOLIDÃO COMPARTILHADA
Tudo tem sua hora e todo destino tem seu caminho
A sua companhia não evita de me sentir sozinho
Me aproximo do seu corpo para diminuir o frio
E tentar preencher um espaço neste coração vazio
Meus sonhos se repetem todos os dias
Me sufoca aquela sensação inquietante
De não saber onde acaba a fantasia...
Porque você esta perto quando tudo esta distante?
Vejo os anos passando pela janela do escritório
As olheiras vão crescendo
Enquanto o café vai esfriando
Nesta gaiola cheia de gente me sinto solitário.
A sua companhia não evita de me sentir sozinho
Me aproximo do seu corpo para diminuir o frio
E tentar preencher um espaço neste coração vazio
Meus sonhos se repetem todos os dias
Me sufoca aquela sensação inquietante
De não saber onde acaba a fantasia...
Porque você esta perto quando tudo esta distante?
Vejo os anos passando pela janela do escritório
As olheiras vão crescendo
Enquanto o café vai esfriando
Nesta gaiola cheia de gente me sinto solitário.
POEMA À MODA ANTIGA
Tu, estátua de carvão
Que suja a noite com teu beijo
Mostrarei que o conteúdo de um coração
É bem maior que o teu desejo.
Vou lavar a sua alma
Com a água mais suja
Te espancar com toda calma
Implorando para que não fuja.
Vou queimar as suas fotos
Já não sei mais quem tu és.
Cegar os seus olhos
Com a lama dos meus pés.
Deitar seu corpo nos detritos
Respirar o pó de seus cabelos
Rasgar os seus escritos
Invadir seus pesadelos.
Me alegrar com a tristeza mais pura
E borrifar em ti o perfume da loucura!
Que suja a noite com teu beijo
Mostrarei que o conteúdo de um coração
É bem maior que o teu desejo.
Vou lavar a sua alma
Com a água mais suja
Te espancar com toda calma
Implorando para que não fuja.
Vou queimar as suas fotos
Já não sei mais quem tu és.
Cegar os seus olhos
Com a lama dos meus pés.
Deitar seu corpo nos detritos
Respirar o pó de seus cabelos
Rasgar os seus escritos
Invadir seus pesadelos.
Me alegrar com a tristeza mais pura
E borrifar em ti o perfume da loucura!
PESADELO
As sombras da caverna
Deslizam por entre os cantos
Eu nao sinto minhas pernas
Sou criança, estou aos prantos
Mas se eu tivesse uma lanterna
Para invocar os meus encantos
Eu venceria essa guerra
(Sem violência por enquanto)
Voltaria a sentir minhas pernas
Voltaria para meu recanto
Sendo um vencedor ao encontro
Do sono que eu queria tanto.
Deslizam por entre os cantos
Eu nao sinto minhas pernas
Sou criança, estou aos prantos
Mas se eu tivesse uma lanterna
Para invocar os meus encantos
Eu venceria essa guerra
(Sem violência por enquanto)
Voltaria a sentir minhas pernas
Voltaria para meu recanto
Sendo um vencedor ao encontro
Do sono que eu queria tanto.
INDECENTE EXPERIENCIA
Catavento girofásico nas areias de Chernobyl
Procurando o inicio do começo de onde o preludio surgiu.
Tudo café-com-leite liquisólido
No rádio do giroflexo dos espelhos.
O sino toca e os manequins viram os olhos
A espera de seus herdeiros pentelhos.
Abandonado na camara de gás do parlamento
Desce pelo ralo e corre pelos canos do tempo.
Dos templos das putas sacrificadas na lareira
Não restam semem nem centelha.
Acasalam-se os loucos nos becos
Usando qualquer afeto que acharem nos cestos
Desta feira de amores e fabulas.
Na faringe o açúcar, na laringe o sal, na boca a água.
No tabuleiro capital onde rainha monta no peao
A elite copula com os lucros do estado.
Lucidências pululantes, os dentes caricatos
E os metaplásticos não impressionam esse delirante cidadão.
Brincolóquios infantis nas ogivas domingueiras,
Soniferos nos tubos venosos do sul.
As alças das jaquetas do punk não são como as calças do nú.
Microfarros catatonicos rezam nos buracos do planalto
Carregando pacotes de demonios e almas.
Meu corpo alcodélico na nuvem corrosiva da tua boca.
No abismo das montanhas os pássaros batem palmas.
Procurando o inicio do começo de onde o preludio surgiu.
Tudo café-com-leite liquisólido
No rádio do giroflexo dos espelhos.
O sino toca e os manequins viram os olhos
A espera de seus herdeiros pentelhos.
Abandonado na camara de gás do parlamento
Desce pelo ralo e corre pelos canos do tempo.
Dos templos das putas sacrificadas na lareira
Não restam semem nem centelha.
Acasalam-se os loucos nos becos
Usando qualquer afeto que acharem nos cestos
Desta feira de amores e fabulas.
Na faringe o açúcar, na laringe o sal, na boca a água.
No tabuleiro capital onde rainha monta no peao
A elite copula com os lucros do estado.
Lucidências pululantes, os dentes caricatos
E os metaplásticos não impressionam esse delirante cidadão.
Brincolóquios infantis nas ogivas domingueiras,
Soniferos nos tubos venosos do sul.
As alças das jaquetas do punk não são como as calças do nú.
Microfarros catatonicos rezam nos buracos do planalto
Carregando pacotes de demonios e almas.
Meu corpo alcodélico na nuvem corrosiva da tua boca.
No abismo das montanhas os pássaros batem palmas.
SERES INSOCIAIS SENSIVEIS
Me sinto como um cartão de crédito
Entre as cartas de um baralho
No meio de tantos números ínfimos
Que valem mais do que eu valho.
Me retiro para vagar
Para celebrar o meu desgosto
Vou chorar até secar
Até os olhos se despregarem do rosto.
Você me diz para continuar
Que é tarde demais pra desistir
Mas então eu apago a luz
E tudo deixa de existir.
Entre as cartas de um baralho
No meio de tantos números ínfimos
Que valem mais do que eu valho.
Me retiro para vagar
Para celebrar o meu desgosto
Vou chorar até secar
Até os olhos se despregarem do rosto.
Você me diz para continuar
Que é tarde demais pra desistir
Mas então eu apago a luz
E tudo deixa de existir.
LIBERTO
Desperto para um mundo claro e cristalino
Estranho para mim
De uma cama de espinhos me liberto
Levanto e ando vertiginoso um tanto
O cansaço debilita-me as pernas
Ás portas do corredor desse hospital
Um imenso desfiladeiro em minha mente
Fantasmas acrobatas em danças convulsivas
Esvoaçando como roupas num varal
A espera de um temporal
Estranho para mim
De uma cama de espinhos me liberto
Levanto e ando vertiginoso um tanto
O cansaço debilita-me as pernas
Ás portas do corredor desse hospital
Um imenso desfiladeiro em minha mente
Fantasmas acrobatas em danças convulsivas
Esvoaçando como roupas num varal
A espera de um temporal
BLUES PARA PARTIR
Estou cansado desse mundo...
Aí estão minhas armas e escudos
Que não me deixam mentir
Pegue suas tralhas
Mas me deixe as migalhas
Antes de partir
Vou celebrar a vida no meu carro
Feliz como numa propaganda de cigarros
Andando por aí
Pois no meu imaginário
Não há um calendário
Para me impedir
E o meu passado está aqui.
Como um quadro mal pintado
Em um desenho bem borrado.
Aí estão minhas armas e escudos
Que não me deixam mentir
Pegue suas tralhas
Mas me deixe as migalhas
Antes de partir
Vou celebrar a vida no meu carro
Feliz como numa propaganda de cigarros
Andando por aí
Pois no meu imaginário
Não há um calendário
Para me impedir
E o meu passado está aqui.
Como um quadro mal pintado
Em um desenho bem borrado.
EFEMERO
O amor pode ser forte como raio
Mas é leve como o ar
Pode brilhar como relâmpago
Queimar como fogo
E fluir como água
Mas em alguns casos é tão momentâneo
Quanto uma chuva de verão.
Mas é leve como o ar
Pode brilhar como relâmpago
Queimar como fogo
E fluir como água
Mas em alguns casos é tão momentâneo
Quanto uma chuva de verão.
SEGREDOS DO APOGEU
Enquanto proletários selenitas
Se acabavam de trabalhar nas fábricas
E nos campos férteis das colonias marcianas
Os ricos imperadores saturninos passeavam
Com seus discos voadores prateados
Para longe dos seus castelos em Júpiter
Os terráqueos festejam o ano-novo
Com meteoros em saraiva
E eu,
Apenas um colecionador de estrelas
Contemplo a todos pela televisão
Sozinho em minha cápsula do tempo.
Se acabavam de trabalhar nas fábricas
E nos campos férteis das colonias marcianas
Os ricos imperadores saturninos passeavam
Com seus discos voadores prateados
Para longe dos seus castelos em Júpiter
Os terráqueos festejam o ano-novo
Com meteoros em saraiva
E eu,
Apenas um colecionador de estrelas
Contemplo a todos pela televisão
Sozinho em minha cápsula do tempo.
DESESPERANÇA
AUSÊNCIA
A primavera voltou.
A alegria vestida de branco
Passeava pelos nossos jardins
Mas eu não estava lá.
O céu se iluminou
Depois de tempos passados.
Das bocas saltaram os dentes
Mas eu não estava lá.
Meu orgulho já nasceu
Do ventre de outra mulher.
A família tirou um retrato
Mas eu não estava lá.
Na porta da minha casa
A sorte resolveu bater
A felicidade também me procurou
Mas eu não estava lá.
A alegria vestida de branco
Passeava pelos nossos jardins
Mas eu não estava lá.
O céu se iluminou
Depois de tempos passados.
Das bocas saltaram os dentes
Mas eu não estava lá.
Meu orgulho já nasceu
Do ventre de outra mulher.
A família tirou um retrato
Mas eu não estava lá.
Na porta da minha casa
A sorte resolveu bater
A felicidade também me procurou
Mas eu não estava lá.
QUARENTENA
Meus desejos misturaram-se ao pó da estrada
Que a terra fofa engole um a um
De resto não sobrou mais nada
Nem sombra de objeto algum.
Os dados foram jogados
Minha sorte me traiu
Outra vez abandonado
Nesse quarto vazio.
E no espaço onde só há tristeza
Restará a alegria do poeta
Antes que o mundo desabe sobre a sua cabeça
Como disse um profeta.
Que a terra fofa engole um a um
De resto não sobrou mais nada
Nem sombra de objeto algum.
Os dados foram jogados
Minha sorte me traiu
Outra vez abandonado
Nesse quarto vazio.
E no espaço onde só há tristeza
Restará a alegria do poeta
Antes que o mundo desabe sobre a sua cabeça
Como disse um profeta.
BANG
DE PINGO EM PINGO A VIDA VAI SE ESVAINDO
A vida é uma droga
que não se consome,
é ela que
pouco a pouco
vai te consumindo.
que não se consome,
é ela que
pouco a pouco
vai te consumindo.
MEU FARDO ME CARREGA
Deambulações pelos bueiros
Que as emoções perseguem
Um manto cobre a visão
Que a escuridão não se percebe
Os olhos percorrem o calendário
É a palha seca em consumo incendiário
Os problemas lhe caem como balde d'água na cabeça
Seus ombros não suportam e ao desespero se entrega
Eu me calo e apenas aceito.
Meu fardo é que me carrega.
Que as emoções perseguem
Um manto cobre a visão
Que a escuridão não se percebe
Os olhos percorrem o calendário
É a palha seca em consumo incendiário
Os problemas lhe caem como balde d'água na cabeça
Seus ombros não suportam e ao desespero se entrega
Eu me calo e apenas aceito.
Meu fardo é que me carrega.
VIDA SABOR AGUA
Aposto uma bala 7bello que se eu ligar na pizzaria agora pedindo uma carona no carro do sonho, só vai ter sabor de pesadelo. Sim, eu li o cardápio, sou disléxico de um lado só, tá. Enquanto você cochila aí na sua mansão de mais de um milhão negativos de metros triangulados lunares aqui no Azerbaijão eu almoço de madrugada pra compensar o fuso horário. Diz a lenda que se tocar um disco da Xuxa ao contrario coce ouve o som de pirilampos alvinicios sexagenários cantando em silencio. E dai, ninguém perguntou.
Cês tão de brincação né? Fui olhar minha caixa de ferramentas e cadê minha bicicleta? Logo hoje que meu galo não cantou e eu acordei atrasado. Risca esse fósforo ou abre a cortina, mas pára de mexer nisso aí (serão suas ultimas palavras). Lembra quando éramos felizes e não sabíamos? Eu não, naquela época eu ainda estava em um tubo de ensaio. Tirem as crianças da sala porque a conversa vai terminar assim, o dito pelo não dito.













