Abro um baú que eu havia escondido.
A poeira me rodeia como um enxame maldito.
Faz tanto tempo que eu nem ligo.
Meu café já deve estar frio.
Seu interior está vazio.
A vida não me deu souvenires.
Tudo passa com rapidez
Para parecer que nada se fez.
E neste mar de incertezas
Tudo que queremos já pertence a outros.
As correntezas levaram nossas tristezas
Mas dissolveram nossos sonhos.
Nos perdemos procurando a saída
Ao tentar deixar tudo como era antes.
Mas, qual seria o sentido da vida
Se a morte não ameaçasse a cada instante?

