L.S.D (leia sentindo dor)

Viver é meu passatempo preferido.
Eu só to dizendo isso pra puxar assunto.
É o que me resta neste viver falido.
Só oque eu posso enquanto não viro defunto.

Os filhos esperam que eu vá novamente,
De preferencia antes de Agosto.
Pra plantar uma árvore com as sementes
Das maçãs do meu rosto.

Vou juntando pedras sobre pedras
Na ladeira da moral para não perder o embalo.
Não vejo a hora de ficar idoso e ter Alzheimer
Pra esquecer algumas besteiras que eu falo.

Enquanto eles tem pressa de me ver derrotado
Em meu mototáxi estou sorrindo.
Para eles vai ser mais demorado
Do que almoço de domingo.

Vou embora assim de repente
Mas nosso papo está bonito.
Gostaria que acontecesse novamente
no futuro-do-pretérito-mais-que-ridículo.

Bom, por enquanto é isso
Vou parar de psicografar.
Dar uma pausa nesse vicio
Para meu espirito ir fumar.



ANTROPOFAGO E MISANTROPO

Luz de velas a queimar
Meu sangue imaculado
Sereias a cantar
O mundo feito de dédalos
Mistérios e sortilégios
Sucubo a sucumbir
Num sentimento estéril
Faiscas sagradas
De um anátema maldito
Resquício de humanidade
Mergulhado no abismo.



BLUES DO PAPO FURADO

Sou um lagarto do deserto
Se achando mais esperto
Do que deus.

E eu tenho meus direitos
Porque todo meu sustento
Sai do suor desse peito
Que é meu.

Me sentindo abandonado
Me afundo em algum buraco
Queria ir pra longe
Mas onde?

Ainda está escuro
Não me diga o meu futuro
Sou um cara bem maduro
Pra saber.

E antes que o céu se revele
A chuva cai bem forte
Para lavar todos esses cortes
De pele.

PAPEL E TINTA

Abre a porta e acende
A grande lâmpada incandescente
Que ilumina o imenso
E azulado papel de parede
Tudo enche-se de cores
Lindas pintadas flores
No grande tapete verde
Aqui e ali borboletas de plástico
Procurando o controle remoto
Pendurado em nuvens de algodão
E eternizado em uma foto.