TREM DO NADA

Pedindo licença pra me apresentar
Primeira pessoa do singular
Conjugado no modo imperativo subjuntivo crescente.

Nasci num lugar que não aparece no radar
Minha idade já parei de contar
Signo de burro com minotauro como ascendente.

Tive várias mulheres e nenhuma separação
Foi tudo sonho de algumas noites de verão
Os meus filhos, coitados tem nomes de detergente.

Fui achado no lixo pela minha mãe
Quando procurava comida para seus irmãos
Que ela adotou na feira de ETs albinos carentes.

Vim aqui porque estava sem direção
Minha casa agora é este buraco no chão
Entre, mas antes limpe sua cara no tapete.

Estou procurando uma conclusão
Para esta historia sem noção
E não ficar com cara de escova dizendo "Oi" pra pasta de dente.

MÚMIA

Uma múmia despertou de seu sono
Depois de anos e anos passados
Mas acabou se esfarelando no solo
Tropeçando em seus próprios farrapos.



MANIA DE PERSEGUIÇÃO

A escuridão avança mais e mais
Parece que até as pedras estão brilhando
A névoa densa cai sobre nós
Mas a lua continua nos observando

As fogueiras na praia continuam a queimar
Os cães saem por aí uivando
A maré está alta e continua a avançar
E a lua continua nos observando

Enquanto passo a noite sonhando
Só vejo voce em meus sonhos
Entre as trevas não há mais nada
Apenas a luz dos seus olhos
E da lua
Que continua nos observando...




CATIVO NATIVO

Há uma maquina fonofóbica
A rugir nas escuras fabricas
Há um ódio acumulado
Quanto a vida do operário
E seus atos repetentes
Fazem com que essa raiva aumente.

Esses trabalhadores zumbis
Se confundem com o maquinário
São pequenos cacos de vidro
Sujos e empoeirados.

A grande vidraça se estende e reluz
E quem a vê lhe acha bela
Mas essa beleza se traduz
Na miséria que se espelha nela.