VOLTANDO DA TUMBA

Tenho muita raiva de estar aqui
Eu nunca quis ser um zumbi
Saindo a noite pra mendigar
Um dia eu volto pra me vingar

Eu quero voltar a derrapar nas esquinas
Sentir o cheirinho de gasolina
Voltar a fazer o que sempre fazia
Psycho, mulheres, farra e bebida

Eu já morri mas continuo a viver
Essa coisa de zumbi não dá pra entender
Oque me resta são os meus porres
Enquanto o meu corpo vai ficando mais podre

Psychobeers

Meia noite. Silencio. Acordo do vazio de um luto que deveria ser eterno. Aos poucos fui dando conta de mim e as coisas foram voltando, mas de uma forma completamente diferente... Estou morto ou estou vivo? Meu corpo está fraco mas ainda funciona, pedaços de mim compartilho com os vermes, me sinto confuso. O cheiro de morte agora faz parte da minha essência... Afasto a terra em minha volta na esperança de sair. Olho ao redor e percebo que agora sou um um outro ser, condenado a vagar por aí tentando recuperar o tempo perdido naquela vidinha casa-trabalho-casa-trabalho... Sinto fome, raiva, dor, desordem. Minha garganta seca pede álcool, minha barriga vazia pede cérebros, meu ouvido arruinado pede barulho. Meu cérebro meio podre só tem espaço para bebidas, hotrods, pin-ups e psychobilly. Agora ando de bar em bar degustando o sabor de decadência e até montei uma banda pra acalmar minha ansiedade e suprir meu novo gosto post-mortem. Bem vindo ao meu mundo! 

UNIVERSIOTARIO

Me colocaram pra ouvir sertanejo universitário.... me senti tao desconfortável quanto alguém tentando correr com pé de pato. Agoniado, trancado em um canto de uma sala enquanto o outro canto pega fogo. Ânsia de uma comida estragada que parou no esófago e não sai. Aquele dia lindo em que o sol brilhava pela primeira vez no ano em Curitiba perdeu toda a graça. Eu poderia estar em qualquer lugar do mundo mas estou aqui apavorado neste meio metro quadrado (porque aqui?).
Ao recobrar os sentidos, saio atordoado na rua procurando uma carrocinha de cachorro-quente, de caldo de cana, de picolé.... não estou com fome não, é só pra me distrair. Entro no primeiro bar que encontro, ofereço uma dose ao Deus Metal e peço um Motorhead no som. Respiro aliviado sabendo oque indicar aos meus inimigos.

MALDITA PAZ

Eu grito e você não ouve
Te procuro e não te encontro
Estico os braços, dou um passo
Na esperança de te tocar

A maldita paz, onde ela está?

Sempre alguém querendo julgar
Nos persegue a falsidade
Cresce em nós a ignorância
Aumenta mais a covardia

A maldita paz, onde ela está?


Nem em casa temos segurança
Nem na policia temos confiança
Acho que não há mais esperança
Pra nos ferrar o sistema não se cansa

A maldita paz, onde ela está?

DEPENDENCIA PSICOTICA

Querido diário de bordo
do espaço sideral
Estou voltando ao planeta Terra
só para ver um hospital

E essa minha doença
É sofrer de humanidade
Queria ser alguém
Se já não fosse um cadáver

Dizem que não há mais cura
Pra minha demência mental
Agora quero todos mortos
Sou muito sentimental

Da minha cápsula do tempo
Vejo sua decadência.
Sua ignorância
Lhe esconde a ciência.